MEN - Le Tigre, CSS, Bonde, Brooklyn e Popload Gig!!
JD Samson é MEN. JD Samson é Le Tigre.
JD também é vegan, lésbica assumida e feminista. Já foi eleita pelo New York Times como 'an icon of nerdy cool', é co-fundadora do grupo artístico Dykes Can Dance e ainda integrante da banda de apoio da canadense Peaches.
E sobra tempo pra alguma outra coisa?!
Lógico! Ainda rola tempo pra vir a Porto Alegre tocar no palco do 'novo' Beco e, antes disso, bater um papo com a casa internética becólatra.
Na próxima sexta, dia 11, o novo projeto das ex-Le Tigre JD Samson e Johanna Fateman faz show no Popload Gig 3. No Beco, o MEN promete apresentar pela primeira vez no Brasil seu disco-punk fervido, sexy e feminista.
A noite promete tanto que, pra já sentir um gostinho da coisa toda, a casa internética do Beco catou o celular de JD e mandou uma phone call pro Brooklyn, em NY.
JD estava em meio às mixagens de um novo disco, mesmo assim foi tri querida e tirou um tempinho pra dar um alô becólatra.
Ainda não conhece bem o MEN? JD explica. Se o projeto tem a ver com o Le Tigre? Ela responde.
Revela ainda como é estar no tão hypado Brooklyn, diz adorar CSS e Bonde do Rolê e ter a certeza de que sua primeira tour no Brasil será "lots of fun"!!.
Confira!
_por Tomás Bello
Beco: De onde tu anda falando JD? Está no Brooklyn, por acaso?
JD: Aham, estou aqui no estúdio onde estamos mixando nosso álbum.
Beco: Opa, que legal!
JD: É.. mas esse tem sido um press day surpresa pra mim. Eu não tinha ideia e agora estou falando contigo e já tem um monte de gente esperando na fila, prometendo ligar daqui uns 20min. Alguma confusões que aconteceram hoje..
Mas e o que dizer do Brooklyn hein.. Porque as pessoas não param de fazer nele, de como é um lugar legal, cheio de artistas e bandas bacanas surgindo a todo momento.. É realmente ”the coolest place on earth”??
JD: (risos) É realmente muito bacana! Hoje, por exemplo, quando eu estava caminhando na rua passei a me dar conta de quantas pessoas tinham uma guitarra na mão e, tipo, é definitivamente um lugar muito legal pra se estar, tem sempre tem algo inspirador acontecendo.
Mas pra mim é difícil dizer em muitos detalhes porque eu não estou sempre aqui. Na verdade não estou nem na área de Nova Iorque hoje em dia. Mas quando estou aqui é muito legal ver que tem bandas novas aparecendo a todo momento, coisas inspiradoras acontecendo e pessoas se mudando pra cá pra tentar fazer a vida artística dar certo.
Beco: Mas e o Brasil hein.. É curioso essa ser a primeira vinda de vocês ao país, e com o novo projeto, o MEN. As pessoas sempre adoraram tanto o Le Tigre.. Porque vocês nunca vieram? Porque demorou tanto?
JD: A gente nunca teve uma clara oportunidade de ir ao Brasil. Lembro que tivemos umas duas oportunidades de tocar em festivais por aí mas tínhamos outros compromissos e acabou não rolando. Então nunca foi uma questão de não querer, mas realmente não deu certo com nossa agenda.
Eu tive a oportunidade de ir como DJ há alguns anos. E foi uma sorte, porque eu tinha algo agendado na Argentina e então apareceu o convite de tocar no Brasil também. E aquilo tudo foi demais!
Eu agora estou muito ansiosa em poder tocar ao vivo, com banda, e poder mostrar isso pras pessoas e aumentar a nossa base de fãs. Acho que vai ser muito divertido!!
Beco: E isso faz todo sentido.. Então tu veio ao Brasil fazer um DJ Set, certo?
JD: Isso, eu fiz um DJ Set em São Paulo, em 2008.
Beco: Pois é.. Porque o MEN começou como um projeto DJ Set teu e da Johanna, não foi? Aí depois virou uma banda..
JD: Exatamente. A Johanna e eu começamos a fazer DJ Sets como MEN em 2007, e eu já tinha um outro projeto com outros amigos chamado Hirsute. Então Johanna e eu começos a escrever músicas pro MEN, aí quando ela resolveu ter um bebê resolvemos fundir as duas bandas, já que ela decidiu que não queria sair em turnê a partir de então.
Beco: E como tu compara as duas bandas, MEN e Le Tigre. Porque as duas parecem vir de um background até semelhante, não?!
JD: Hmm.. Eu, na verdade, acho que os projetos são bem diferentes. A minha contribuição ao MEN é, definitivamente, o lado electro das coisas. Os outros integrantes da banda não tem o background electro que eu tenho em termos de beats e produção, por exemplo. Mas eu também acho que os dois tem formas diferentes de musicalidade.
Eu aprendi muita coisa com o Le Tigre, coisas que não tive a oportunidade de colocar em prática, como progressões de acordes ou ideias de estrutura, por exemplo, e que agora estou conseguindo mostrar com a ajuda e conhecimento dos integrantes da banda nesse projeto.
Eu acho que o MEN é algo como o “próximo passo”. E me dá outras chances também, como faz uma música que tem 7 minutos de duração ou 3 minutos de jam no meio dela sabe.
Beco: Então é algo mais livre e aberto a experimentações do que era o Le Tigre?
JD: Eu acho que sim. Tem uma diferença na liberdade dos dois projetos. Acho que tem a ver com o maior nível de conhecimento, o fato de poder arriscar mais e fazer o que é certo pra música ao invés de fazer o que é certo pro público.
Beco: E quanto as experimentações? Não só na música, mas eu sei que tu vem da arte, tem projetos artísticos.. então como isso se relaciona com a música e influência o show do MEN?
JD: Eu acho que é realmente importante pra nós pensar em nossas músicas junto com seu conteúdo, e construí-las de acordo com o que queremos dizer. E isso pode ser apenas o nosso instinto ou mesmo posições políticas, acho que é realmente importante espelhar estes sentimentos que temos. Então quando estamos no estúdio trabalhando é sempre muito arty, é sempre um momento de muita conversa, de teoria colocada ao lado da prática, tem sempre um senso de composição.
Beco: Falando em Brasil.. tem algo que anda planejando fazer por aqui? Vocês sabem o que acontece por aqui, gostam de algum artista brasileiro..?
JD: Sim, claro! Eu tenho algumas amigos brasileiro que tem bandas por aí, o CSS e o Bonde do Rolê, e são pessoas que me inspiram como amigos e também musicalmente.
Estou muito feliz por poder passar um tempo com eles no Brasil, ver o que eles fazem quando estão em casa, onde eles vão, que festas rolam por aí.. Então acho que vai ser bem legal!