Amor, ódio, ressaca e juventude. Baixo, guitarras, piano e bateria.
É com essas simples palavras que Jonts, Foppa, Che, Ferry e Roberto descrevem a si mesmos em seu MySpace. Ou melhor, é assim que descrevem os Valentinos.
Diz Foppa, o guitarrista, que eles "preferem seguir uma linha mais tradicional". Nada de "3 Mac Book pra cima de um palco falando que é banda de rock".
Então sem Mac Books mas com álbuns de Beatles, Oasis e Supergrass debaixo do braço, os Valentinos chegam ao seu disco de estreia, dois anos depois de o embrião ter sido criado.
Com lançamento encaminhado logo mais pra maio, Avante ganha uma prévia nesta quinta-feira, quando a banda exibe no Boteco do Beco o curta documental de mesmo nome. Segundo o guitar man, eles estavam "fazendo o que fazem sempre, só que com câmeras espalhadas no ambiente", se referindo ao doc que registrou todo o processo de produção da bolacha.
A exibição do filme vem acompanhada de coquetel e show acústico com os caras. Ou seja, prato cheio (confira os detalhes na agenda).
Mas pra entender melhor o que os Valentinos prometem daqui pra frente a casa internética do Beco se jogou no clássico '5 perguntas'. E Foppa responde.
Confere aí..
_por Tomás Bello
Beco: Os Valentinos estão encaminhando disco de estreia, certo? Mas aí vocês resolvem dar uma prévia do que vem logo mais com a exibição de um curta documental. Qual é a ideia por trás disso? O que é esse curta?
Foppa: Certo, o disco tá na mão, lançaremos ele no início de maio com um show bem bacana no nosso "novo" Beco, no novo palco que tá fodástico.
Bom, falar do video é uma coisa bacana pra gente. A idéia veio da banda ainda na pré-produção do disco - "bah vamos gravar essas etapas e fases que vão acontecer com a gente nesses próximos meses? Vamos!". Chamei dois dos caras mais massa da cena audiovisual de Porto, que foi o Lufe Bollini e o Antônio de Paula Ternura, da Produtora Coletivo Inconsciente, para tocar esse projeto. Os caras nos acampanharam em quase tudo, durante 8 meses, em 2009. Filmaram shows, as sessões de gravação do disco, sessão de fotos do encarte, brigas, tragos homéricos, tudo praticamente sem roteiro e idéia de formato definido. O documentário criou forma no decorrer dos meses.
Eu sabia que estava em boas mãos, conheço há anos os dois, são garotos com um taleto incrível. Foi meio fácil pra gente, estávamos entre pessoas que amamos, fazendo o que a gente faz sempre, só que com câmeras espalhadas no ambiente.
Beco: E essa ideia de produzir um curta veio a partir dessa era mp3/downloads em que a gente vive? Tipo, já que todo mundo baixa discos muitos artistas pensam em diferentes maneiras pra fazer as pessoas ainda darem valor aos álbuns. Ou não é nada disso, a ideia veio de outro lado??
Foppa: A ideia é porque a gente gosta muito de cinema mesmo, mas também tem outros fatores. Um que eu gosto é o fato de que as pessoas que ainda não conhecem a banda poderem conhecer por meio de um outro formato, o vídeo. Eu, por exemplo, vivo no YouTube seguindo os passos dos meus artistas preferidos. A sensacão é boa, saber o que se passa realmente naquela hora onde o cara gravou o solo de tal música que tu curte, enfim.
A relação cinema x música sempre vão andar juntos. É só pensar em Stones e Scorsese. Tem aquele Supergrass is 10, um DVD duplo com um documentário contendo cenas e relatos dos 4 primeiros discos da banda, dai dá pra ver o Gaz com 16 anos tocando "Alright", isso é lindo. Acho que já estamos pensando no nosso Valentinos is 10 (risos).
Beco: O que vocês acham desse momento da música? Porque parece que a música se tornou algo mais passageiro, não? Poucas pessoas ainda ouvem álbuns inteiros.. Aí também tem o fato de diferentes gêneros estarem lado a lado hoje, com mash ups, remixes, etc.. não sei como é isso pros Valentinos, que são uma banda essencialmente rock..?
Foppa: Uma banda essencialmente rock também são os Superguidis. Estou escutando o disco inteiro deles pela 2x hoje num baita volume aqui e respondendo essa entrevista (risos).
Enfim, vou falar por mim: na real, acho palha essa mania de não escutar disco inteiro. Mash ups, remix até alguns se salvam, mas antes de saírem fazendo tudo isso, deixa a música se "desvirginar sozinha", saca. Deixa o tempo tranformar ela. Essa prostituição me deixa louco, a música nem saiu e tem 23 versões dela rolando na internet. Nada contra, mas a gente prefere seguir uma linha mais tradicional, acredito eu. Tudo tem o seu tempo, essa geração Y é muito rapidinha.
Beco: Mas Foppa, o que tem na água de Porto Alegre que 9 entre 10 bandas rockers daqui tem um pé em Beatles, Oasis, Supergrass e afins..? Como vocês vêem isso?
Foppa: A gente vê de uma forma possítiva, são bandas ótimas, bandas realmente com conteúdo, que ultrapassam décadas, gerações, inovando a cada disco. Essas entram no saco e ficam.
Mas também tô vendo umas bandas na capital com influências mais contemporâneas. Eu acho bacana. Ttem umas 3 ou 4 das contemporâneas que vão entrar no saco logo mais: King of Leon, The Thrills, são umas dessas, na minha opinião.
Enfim, cada um tá livre pra escutar o que bem entender, né? Só não me venham com 3 Mac Book pra cima de um palco, sem guitarras, falando que é banda de rock.
Beco: Mas e o disco hein.. sai pela Beco Discos, não? Já tem data? O que esperar de Avante??
Foppa: Sim, sai pela Beco 203 Discos, nosso selo! A felicidade é grande por saber que estamos sendo lançados por um selo novo e com uma gaveta cheia de coisas bacana pra gente nesse ano, o "nosso ano" - segundo nosso produtor Caco Spector (mais risadas). A data mais certa, até o momento, é 07 de maio, no Beco. Provavelmente a data se mantenha, mas essa semana sai a confirmação.
Sobre o disco Avante, vocês podem esperar 11 ótimas músicas, um dos melhores vocais de rock nacional, ótimos timbres, e 5 músicos na estrada, levando o disco a todas as cidades possíveis ao longo do ano.
Ah! Sem contar na capa! A gente tá pirando muito na nossa capa, ela ficou diferente do que costumamos ver em capas de bandas gaúchas. O encarte tá bacana também, contamos com a participação de 4 fotógrafos pra compor o encarte. Sem contar no Curta- documental num formato multimídia dentro do próprio CD. Tá bom pro primeiro disco? Ou querem mais?